Se a Reforma fosse apenas uma reação negativa a um problema puramente histórico, então não seria relevante hoje para os evangélicos.

Contudo, quanto mais de perto se observar, mais claro isso se torna: a Reforma não foi, principalmente, um movimento negativo, um distanciamento de Roma; foi um mover-se em direção ao evangelho. E mover-se em direção ao evangelho significa descobrir o cristianismo original, bíblico, apostólico, que àquela altura estava enterrado debaixo de séculos de tradições humanas.

É isso que mantém a validade da Reforma nos dias de hoje, pois a Igreja deve estar sempre reformando e constantemente chegando mais perto do evangelho.

Essa ideia é sintetizada por duas palavras que escutamos com frequência: “semper reformanda”. Porém, seu contexto é importante, pois a frase completa em latim diz: Ecclesia reformata et semper reformanda secundum verbum Dei (A igreja reformada e sempre reformando de acordo com a Palavra de Deus).

A Reforma não pode acabar. Deve ser uma bandeira evangélica, carregada com humildade e firmeza.

O QUE ESTAVA NO CORAÇÃO DA REFORMA?

A partir do momento em que Lutero compreendeu de Romanos 1 que a justiça de Deus é uma dádiva totalmente imerecida, ele percebeu que essa era a verdade mais importante do mundo. A justificação estava no coração da Reforma, seu elemento essencial.

Para os reformadores como Lutero e Calvino, “justificação” queria dizer uma declaração divina de que a justiça de Cristo (solus Christus) é atribuída ao que crê somente por causa da graça de Deus (sola gratia). Essa justificação, portanto, é somente pela fé (sola fide) em Cristo, o que significa que toda a glória da salvação é dada somente a Deus (soli Deo gloria), e não a nós.

Se a justificação somente pela fé é o elemento essencial da Reforma, a autoridade suprema da Bíblia é seu meio.

Para obter uma reforma substancial, foi necessária a defesa de Lutero de que as Escrituras são a única base segura para a convicção da fé (sola Scriptura). A Bíblia precisava ser reconduzida como autoridade suprema e autorizada a contradizer e anular todas as outras afirmações, ou ela mesma seria anulada. Em outras palavras, a simples reverência pela Bíblia e o reconhecimento de que ela tem alguma autoridade jamais seriam suficientes para possibilitar a Reforma. Sola Scriptura era uma chave indispensável para uma mudança profunda e saudável que deve ser mantida em nossos dias.

Michael Reeve