Se Deus não existisse, seria preciso, dizem, criar um. Mas quem iria cria-lo? O oleiro? O carpinteiro? O ourives? O químico? Seria de barro, gesso, madeira, metal nobre, de matéria plástica, de células? Sairia de uma oficina, de uma proveta, de uma máquina?

      Não adianta criar um, pois ele seria muito pequeno para despertar atenção e a ordem estaria invertida: o homem seria o criador e esse deus seria criatura. Além disso, a terra já está cheia de deuses criados pelo homem. Daí o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3). Alguns caíram do altar e se quebraram. Outros foram destruídos e abandonados por seus adoradores, em vista de sua irritante inoperância. Se Deus não existisse, não haveria o temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria (Sl 111.10; Pv 9.10). Se não houvesse o temor do Senhor, os seres humanos não teriam tanta dificuldade em pecar, pois “pelo temor do Senhor os homens evitam o mal” (Pv 16.6). Afastados os obstáculos para a livre depravação, o mundo seria muito pior do que na realidade é e o homem se destruiria.

      “Somente há justiça porque Deus a sustenta, somente há verdade porque Deus a preserva” (Lesslie Newbigin). Deus é a autoridade maior, o último tribunal, a quem as obras da criação e os seres vivos estão sujeitos.

      Se Deus não existisse, o universo seria terra de ninguém e haveria muito aventureiro para tomar posse dele. Poderia ocorrer o caos se houvesse algum defeito na mecânica celeste. Faltaria o engenheiro para dizer: “Haja isto e faça-se aquilo”.

      Mas a encantadora verdade é que Deus existe.

Ele é “espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade” (Catecismo de Westminster). “Pela fé entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb 11.3).

      Para muita gente esta é a mais incômoda notícia de todos os tempos, porque eles não estão preparados, porque eles estão em rebelião aberta ou disfarçada contra Deus, porque as suas obras são trevas e Deus é luz. Prefeririam que Deus não existisse: inventam a história de que ele não existe, mas não conseguem, no íntimo, acreditar nela. Acham-se exasperados. Enquanto isso, outros se deliciam com a existência de Deus, conseguem ter comunhão com ele por meio de Cristo e estão por demais cientes de que “o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Catecismo de Westminster).

      Elben César (Revista Ultimato)